Pior do que concordar com as ideias de Santana Lopes é concordar com as suas atitudes. É a primeira vez, mas tenho que me pôr do lado do ex-primeiro-ministro (não me esqueço...).
A sua saída durante o Jornal das Nove da SIC foi totalmente justificado. Por motivos que de certeza pertencem ao domínio do transcendental, vi mais uma vez este espectáculo em directo, depois de ter assistido ao Verde Eufémia. Mais incompreensível (longe do racional) ainda, é a segunda vez que vejo isto no Jornal das Nove, sempre com a Ana Lourenço aos comandos da emissão. Foi durante um debate entre a Ana Drago e um economista do PSD, do qual não me lembro o nome, em que este também disse que não participava mais no debate, perante a impertinência da miúda do Bloco de Esquerda, embora não abandonasse o estúdio.
Santana Lopes detém o título de enfant terrible da política e Ana Lourenço não é com certeza o correspondente no jornalismo televisivo. Mas, um engraçadinho que está por detrás dos bastidores e que dá pelo nome de Ricardo Costa, já o pode ser. Basta ler a sua coluna no Diário Económico ou as moderações do Expresso da Meia-Noite para ver como se rói por não poder desmascarar tudo o que sabe. Foi ele que naturalmente e enquanto director de programação veio em defesa da SIC, dizendo que a reacção de Santana Lopes foi "desproporcionada". Pondo o ex-primeiro-ministro (é preciso sempre lembrá-lo...) ao mesmo nível de um treinador de futebol mostrou que a sua atitude foi mais a de humilhar Santana do que defender a estação de televisão. Mas não chegou. Da forma como um comentador da notícia do Público pôs a questão: "Afinal o Mourinho chegou a Portugal, para ir para casa dormir. Noticia sensacional e com muito interesse. Bem feito. Pedro Santana Lopes soube dar a resposta."
Mais interessante ainda é ver a troca de personalidades aqui, tipo "Face-off". Santana, que foi dirigente desportivo, interroga-se, à jornalista e aos espectadores, sobre se o mundo do futebol passa por cima das directas do segundo maior partido político do país. "Acha que a chegada de um treinador de futebol é mais importante que as directas de um partido?", perguntou. A SIC, esse agora pseudo-baluarte do jornalismo de referência, não tem dúvidas. Sim, o futebol é mais importante que a política. Em defesa da SIC, devo dizer que se o futebol e a política andaram sempre de mãos dadas e sujas, como dois irmãos depois do recreio, torna-se difícil ter critérios. E quando Pacheco Pereira vem dizer que Santana Lopes teve razão nalguma coisa, é porque o mundo está quase a acabar. Com programas de informação assim, que é que precisa dos Sopranos à 00h30 ou o House quase à uma?
27 setembro, 2007
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2 comentários:
Depois da brilhante actuação do excelente jornalista Mário Crespo e depois de uma enorme discussão sobre a entrevista do 'eufémia', eis que a Sic Notícias vem mostrar, para não deixar dúvidas sobre o que eu já pensava, quais são as notícias que realmente interessam e o que é o verdadeiro conteúdo informativo! O que de facto eu gostei mais, foi a forma prepotente como o Ricardo Costa veio justificar o injustificável. Já tinha visto os brilhantes comentários dele no expresso do oriente mas confesso que fiquei espantado. Mais uma vez, os "profissionais da informação" a pensarem que conseguem justificar tudo apenas com uma boa capacidade de comunicação.
Isso só prova que nem um canal com a melhor das intenções como a SIC Notícias consegue fugir à ditadura das audiências. Esse caso foi mal gerido e a hierarquização da informação nesse noticiário foi precipitada e errada. E depois, isso faz da SIC Notícas um canal a evitar? A informação da TVI, da SIC ou da RTP é melhor? Há algum canal que se preocupe em confrontar em directo os visados das notícias, sem ser a SIC Notícias? Não é perfeita, ok. Já foi melhor, ok outra vez. Mas os que as pessoas querem é isso e, como dizia o José Eduardo Moniz, há que dar às pessoas o que elas querem e de preferência como elas querem. É a vida.
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