A meio da década de 90, ainda como director do Independente, Paulo Portas assinou um editorial sobre o congresso do PSD que se pautava por uma coluna a um terço da página com o título "O Congresso do PSD", sem nada escrito a não ser no fundo da página uma linha com o seguinte: "Isto são as ideias discutidas no congresso do PSD". Agora, mais de dez anos depois, é possível dizer-se o mesmo. A única novidade será Santana Lopes como líder parlamentar. No entanto, pode ser que se saiba no que é que consiste o acordo que os dois fecharam ao jantar num hotel. Eu aposto que é o caminho para meter Santana outra vez como primeiro. Resta saber é como.
PS: E a lista de ausências? Vai ofuscar a lista de presenças?
12 outubro, 2007
08 outubro, 2007
Um PCP maior
Demorei tempo, mas percebi. Aquilo que Jerónimo de Sousa queria dizer com "teria a maioria absoluta se os protestos fossem só de comunistas" significa que admite que o seu partido é pequeno demais para fazer frente ao governo e que gostava de ter mais apoio, da parte de outros "democratas" como ele.
A estratégia utilizada para fazer oposição agora, não é muito diferente da utilizada proverbialmente pelo PCP. Deixar o governo falar, para depois se pôr do contra. Revela a origem baixa do partido e uma forma de argumentação utilizada por quem não tem argumentos. Basta ver as suas propostas, que nunca passaram da luta pelos direitos dos trabalhadores e por uma socieadade justa. Bem dito, mas acho que os outros partidos também pretendem o mesmo. Ninguém actua de má-fé. Daí a diabolização dos "do lado de lá", como dizia a Simone e o Carlos do Carmo, referindo-se ao palco/plateia. Daí também a separação entre os que têm sempre razão, porque são coerentes, e os que não têm nunca razão porque andam ao sabor do capital e das exigências impostas pela sociedade capitalista.
No entanto, esta forma de oposição já não se faz só no Parlamento. Ela é móvel, persegue os eventos da agenda do governo e pretende afirmar-se sempre que o governo se quer afirmar. O ministro abre uma ponte, o PCP (ou um dos seus satélites) está lá para dizer que a ponte não devia ter sido feita ali. Mais, envia um professor ou um enfermeiro para entregar uma prenda, que pode ser um dossier de propostas ou uma lista de despedidos, ao ministro. Tudo em directo, tal como o governo quis mostrar. Trata-se de uma oposição parasita, que exige poucos meios e funciona bem. É uma operação cirurgicamente planeada, onde tudo tem que funcionar a horas e sem falhas. Faz lembrar outros tempos e outros modos de actuar que nem devo referir. É por isso que José Sócrates tem razão quando chama a atenção para a diferença entre o direito à manifestação e o direito ao insulto. Bem sei que dizer, hoje em dia, que Sócrates acertou uma é estar incondicionalmente do lado dele. Os direitos estão confundidos. O despespero da oposição de esquerda é total. A direita nem existe. Por isso têm que ser todos contra um. Faz lembrar os últimos anos de Cavaco. Por isso é que Jerónimo de Sousa acredita que a manif de dia 18 será "a maior acção", reparem na linguagem, "das últimas décadas". Mas quem é que o segue? Quem vai lutar, "na primeira linha de combate", em nome do Serviço Nacional de Saúde, da escola pública, dos direitos justos dos professores, dos trabalhadores com salários em atraso ou ameaçados de despedimento, dos pequenos agricultores e empresários? Menezes? Nem ele.
A estratégia utilizada para fazer oposição agora, não é muito diferente da utilizada proverbialmente pelo PCP. Deixar o governo falar, para depois se pôr do contra. Revela a origem baixa do partido e uma forma de argumentação utilizada por quem não tem argumentos. Basta ver as suas propostas, que nunca passaram da luta pelos direitos dos trabalhadores e por uma socieadade justa. Bem dito, mas acho que os outros partidos também pretendem o mesmo. Ninguém actua de má-fé. Daí a diabolização dos "do lado de lá", como dizia a Simone e o Carlos do Carmo, referindo-se ao palco/plateia. Daí também a separação entre os que têm sempre razão, porque são coerentes, e os que não têm nunca razão porque andam ao sabor do capital e das exigências impostas pela sociedade capitalista.
No entanto, esta forma de oposição já não se faz só no Parlamento. Ela é móvel, persegue os eventos da agenda do governo e pretende afirmar-se sempre que o governo se quer afirmar. O ministro abre uma ponte, o PCP (ou um dos seus satélites) está lá para dizer que a ponte não devia ter sido feita ali. Mais, envia um professor ou um enfermeiro para entregar uma prenda, que pode ser um dossier de propostas ou uma lista de despedidos, ao ministro. Tudo em directo, tal como o governo quis mostrar. Trata-se de uma oposição parasita, que exige poucos meios e funciona bem. É uma operação cirurgicamente planeada, onde tudo tem que funcionar a horas e sem falhas. Faz lembrar outros tempos e outros modos de actuar que nem devo referir. É por isso que José Sócrates tem razão quando chama a atenção para a diferença entre o direito à manifestação e o direito ao insulto. Bem sei que dizer, hoje em dia, que Sócrates acertou uma é estar incondicionalmente do lado dele. Os direitos estão confundidos. O despespero da oposição de esquerda é total. A direita nem existe. Por isso têm que ser todos contra um. Faz lembrar os últimos anos de Cavaco. Por isso é que Jerónimo de Sousa acredita que a manif de dia 18 será "a maior acção", reparem na linguagem, "das últimas décadas". Mas quem é que o segue? Quem vai lutar, "na primeira linha de combate", em nome do Serviço Nacional de Saúde, da escola pública, dos direitos justos dos professores, dos trabalhadores com salários em atraso ou ameaçados de despedimento, dos pequenos agricultores e empresários? Menezes? Nem ele.
01 outubro, 2007
O cronista
J P Coutinho no seu melhor, que agora é no Folha de S. Paulo:
"Os de cima são silenciosos e rápidos. Em dez minutos, e como diria Glauber Rocha, é a terra a transar. Das onze às onze e dez, existe uma cama e existe o triste ranger da cama. Não trocam palavra. Ou trocam - mas eu não consigo ouvir. Pena. Quando a água chapinha no bidé, sabemos que a paixão também corre pelo cano."
"Os de cima são silenciosos e rápidos. Em dez minutos, e como diria Glauber Rocha, é a terra a transar. Das onze às onze e dez, existe uma cama e existe o triste ranger da cama. Não trocam palavra. Ou trocam - mas eu não consigo ouvir. Pena. Quando a água chapinha no bidé, sabemos que a paixão também corre pelo cano."
27 setembro, 2007
Santana Lopes, um homem a seguir
Pior do que concordar com as ideias de Santana Lopes é concordar com as suas atitudes. É a primeira vez, mas tenho que me pôr do lado do ex-primeiro-ministro (não me esqueço...).
A sua saída durante o Jornal das Nove da SIC foi totalmente justificado. Por motivos que de certeza pertencem ao domínio do transcendental, vi mais uma vez este espectáculo em directo, depois de ter assistido ao Verde Eufémia. Mais incompreensível (longe do racional) ainda, é a segunda vez que vejo isto no Jornal das Nove, sempre com a Ana Lourenço aos comandos da emissão. Foi durante um debate entre a Ana Drago e um economista do PSD, do qual não me lembro o nome, em que este também disse que não participava mais no debate, perante a impertinência da miúda do Bloco de Esquerda, embora não abandonasse o estúdio.
Santana Lopes detém o título de enfant terrible da política e Ana Lourenço não é com certeza o correspondente no jornalismo televisivo. Mas, um engraçadinho que está por detrás dos bastidores e que dá pelo nome de Ricardo Costa, já o pode ser. Basta ler a sua coluna no Diário Económico ou as moderações do Expresso da Meia-Noite para ver como se rói por não poder desmascarar tudo o que sabe. Foi ele que naturalmente e enquanto director de programação veio em defesa da SIC, dizendo que a reacção de Santana Lopes foi "desproporcionada". Pondo o ex-primeiro-ministro (é preciso sempre lembrá-lo...) ao mesmo nível de um treinador de futebol mostrou que a sua atitude foi mais a de humilhar Santana do que defender a estação de televisão. Mas não chegou. Da forma como um comentador da notícia do Público pôs a questão: "Afinal o Mourinho chegou a Portugal, para ir para casa dormir. Noticia sensacional e com muito interesse. Bem feito. Pedro Santana Lopes soube dar a resposta."
Mais interessante ainda é ver a troca de personalidades aqui, tipo "Face-off". Santana, que foi dirigente desportivo, interroga-se, à jornalista e aos espectadores, sobre se o mundo do futebol passa por cima das directas do segundo maior partido político do país. "Acha que a chegada de um treinador de futebol é mais importante que as directas de um partido?", perguntou. A SIC, esse agora pseudo-baluarte do jornalismo de referência, não tem dúvidas. Sim, o futebol é mais importante que a política. Em defesa da SIC, devo dizer que se o futebol e a política andaram sempre de mãos dadas e sujas, como dois irmãos depois do recreio, torna-se difícil ter critérios. E quando Pacheco Pereira vem dizer que Santana Lopes teve razão nalguma coisa, é porque o mundo está quase a acabar. Com programas de informação assim, que é que precisa dos Sopranos à 00h30 ou o House quase à uma?
A sua saída durante o Jornal das Nove da SIC foi totalmente justificado. Por motivos que de certeza pertencem ao domínio do transcendental, vi mais uma vez este espectáculo em directo, depois de ter assistido ao Verde Eufémia. Mais incompreensível (longe do racional) ainda, é a segunda vez que vejo isto no Jornal das Nove, sempre com a Ana Lourenço aos comandos da emissão. Foi durante um debate entre a Ana Drago e um economista do PSD, do qual não me lembro o nome, em que este também disse que não participava mais no debate, perante a impertinência da miúda do Bloco de Esquerda, embora não abandonasse o estúdio.
Santana Lopes detém o título de enfant terrible da política e Ana Lourenço não é com certeza o correspondente no jornalismo televisivo. Mas, um engraçadinho que está por detrás dos bastidores e que dá pelo nome de Ricardo Costa, já o pode ser. Basta ler a sua coluna no Diário Económico ou as moderações do Expresso da Meia-Noite para ver como se rói por não poder desmascarar tudo o que sabe. Foi ele que naturalmente e enquanto director de programação veio em defesa da SIC, dizendo que a reacção de Santana Lopes foi "desproporcionada". Pondo o ex-primeiro-ministro (é preciso sempre lembrá-lo...) ao mesmo nível de um treinador de futebol mostrou que a sua atitude foi mais a de humilhar Santana do que defender a estação de televisão. Mas não chegou. Da forma como um comentador da notícia do Público pôs a questão: "Afinal o Mourinho chegou a Portugal, para ir para casa dormir. Noticia sensacional e com muito interesse. Bem feito. Pedro Santana Lopes soube dar a resposta."
Mais interessante ainda é ver a troca de personalidades aqui, tipo "Face-off". Santana, que foi dirigente desportivo, interroga-se, à jornalista e aos espectadores, sobre se o mundo do futebol passa por cima das directas do segundo maior partido político do país. "Acha que a chegada de um treinador de futebol é mais importante que as directas de um partido?", perguntou. A SIC, esse agora pseudo-baluarte do jornalismo de referência, não tem dúvidas. Sim, o futebol é mais importante que a política. Em defesa da SIC, devo dizer que se o futebol e a política andaram sempre de mãos dadas e sujas, como dois irmãos depois do recreio, torna-se difícil ter critérios. E quando Pacheco Pereira vem dizer que Santana Lopes teve razão nalguma coisa, é porque o mundo está quase a acabar. Com programas de informação assim, que é que precisa dos Sopranos à 00h30 ou o House quase à uma?
14 setembro, 2007
Piparote de menina
Não quero que interpretem nas minhas palavras qualquer sinal de xenofobia, mas é por estas e por outras que sou contra a participação de estrangeiros, de gema ou nacionalizados à pressão, na selecção nacional. Tinha que vir um outsider qualquer manchar o bom nome de Portugal e dos Portugueses. A perder a cabeça não era de dar um soco como deve ser?
Reparem:

Não é preciso explicar pois não?
Se é, reparem nas diferenças:

Por um lado, Scolari num aparato gay, por outro, João Pinto qual guerreiro Celta caminhando sem medo contra a lança do inimigo. Isto sim, é um soco bem aviado.
Quando queremos brincar, o que o Scolari fez ou é coisa de maricas ou de miúdo, fazemos como o puto dos sub-21 que, mostrando o elevado sentido de humor que nos caracteriza, tirou o cartão da mão do árbitro numa alegre brincadeira.
Como se já não tivesse feito asneira suficiente, Scolari além de não admitir que não sabe dar um murro como deve ser, arranja uma desculpa mais esfarrapada que um jovem do Intendente que não muda de roupa há 3 anos: `fui defendê o minino”. Azar dos azares, o “minino” era Quaresma, que dá mais sarrafada num jogo que os Neo-Zelandeses do râguebi numa época inteira. Aliás, vê-se claramente que o rapaz está cheio de medo a brincar com a bola.
O que Scolari fez é indesculpável, depois do piparote à menina inventa uma desculpa que não cabe na cabeça de ninguém.
A única coisa que pode abonar um pouco a favor do Piparolari (e não Socolari como vi para aí escrito), é que assim ninguem falou de futebol. O que, convenhamos, por estes dias dá muito jeito à selecção.
Para terminar quero dizer que não sou como aqueles radicais que querem já a demissão do seleccionador, contudo acho que é urgente que lhe dêem formação num ringue de boxe.
Reparem:

Não é preciso explicar pois não?
Se é, reparem nas diferenças:

Por um lado, Scolari num aparato gay, por outro, João Pinto qual guerreiro Celta caminhando sem medo contra a lança do inimigo. Isto sim, é um soco bem aviado.
Quando queremos brincar, o que o Scolari fez ou é coisa de maricas ou de miúdo, fazemos como o puto dos sub-21 que, mostrando o elevado sentido de humor que nos caracteriza, tirou o cartão da mão do árbitro numa alegre brincadeira.
Como se já não tivesse feito asneira suficiente, Scolari além de não admitir que não sabe dar um murro como deve ser, arranja uma desculpa mais esfarrapada que um jovem do Intendente que não muda de roupa há 3 anos: `fui defendê o minino”. Azar dos azares, o “minino” era Quaresma, que dá mais sarrafada num jogo que os Neo-Zelandeses do râguebi numa época inteira. Aliás, vê-se claramente que o rapaz está cheio de medo a brincar com a bola.
O que Scolari fez é indesculpável, depois do piparote à menina inventa uma desculpa que não cabe na cabeça de ninguém.
A única coisa que pode abonar um pouco a favor do Piparolari (e não Socolari como vi para aí escrito), é que assim ninguem falou de futebol. O que, convenhamos, por estes dias dá muito jeito à selecção.
Para terminar quero dizer que não sou como aqueles radicais que querem já a demissão do seleccionador, contudo acho que é urgente que lhe dêem formação num ringue de boxe.
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