09 março, 2006

"Unanismo"

Mais uma de Francisco Louçã. Desta vez, e a respeito da sessão de cumprimentos ao nosso novo presidente da república, eleito democraticamente, importa referir, já que por várias vezes Mário Soares advertiu para a possibilidade da candidatura de Cavaco Silva envolver mecanismos não muito normais e perigosos para a democracia, desta vez, o líder do Bloco de Esquerda vem dizer que o seu partido "não faz parte de um unanismo silencioso relativamente ao Presidente da República". É triste, porque logo no seu primeiro dia Cavaco compreendeu que não vai ser o presidente de todos nós, tal como os seus antecessores. Como sinal de rebeldia, que já alguma falta fazia depois da normalidade da campanha presidencial, nenhum dos deputados do BE compareceu no Salão Nobre da Assembleia da República para os cumprimentos tradicionais aos grupos parlamentares. Uma verdadeira birra que só demonstra como Louçã é perigoso na sua inanidade e na loucura de se sentir perseguido pela direita. Ou seja, tal como se previa, não engoliu nem nunca irá engolir a vitória de Cavaco. Até ao fim do mandato, e enquanto por cá andar, fará todos os esforços (lúcidos ou não) para retirar o presidente do seu posto. E não custa nada a crer que, se fosse ele que mandasse, seria o primeiro a eliminá-lo (politicamente, claro). Isto ainda mete questões sobre a legitimidade dele enquanto deputado, visto que agora não reconhece um dos principais poderes políticos deste país (a figura de presidente é pessoal e não abstrata), mas pronto. Quem é que se rala com isso? Ele? Nem pensar.

2 comentários:

Tiago Franco disse...

Se começarmos a falar em legitimidade para exercer um cargo de deputado sou capaz de arranjar uma lista de tamanho considerável.

Mas esta birrinha faz-nos repensar até que ponto o BE respeita e valoriza a democracia. A eleição democrática de um presidente dá-lhe legitimidade para presidir a todos nós Portugueses. Desta forma, e apesar de não ter votado no Cavaco, ele é o meu presidente. É assim a democracia, e não temos que fazer birrinha por isso. É o que temos.

Anónimo disse...

Não terá ele confundido "unanismo" com "onanismo"?
Não pensará ele apenas consolar o seu ego, mas respeitar a opinião da população votante em Portugal?
Talvez o onanismo dele não seja silencioso!